top of page
  • Instagram
  • LinkedIn

Sobre

Prazer! meu nome é Lucas Biscaro

Sou o primeiro membro da minha família a cursar o ensino superior. Atualmente, estou no 9º semestre de Engenharia de Produção na Escola Politécnica da USP e tenho a oportunidade de realizar um intercâmbio acadêmico. Além disso, sou bolsista da rede ISMART desde 2018, o que tem contribuído significativamente para o meu desenvolvimento acadêmico e profissional.

Digital Photo.jpg

Trajetória

Destino este espaço para compartilhar um pouco da minha breve história para aqueles que tenham interesse em conhecê-la. Organizei os acontecimentos de forma cronológica, dos fatos mais recentes até a infância!

Experiência Universitária e Profissional - 2021 a 2025

Bichusp 2022.jpg
CAEP.jpg
Monitor de sala.jpg
Desafio Estratégico - Bain.png
Campeão Desafio Deloitte.png

Em 2021, ingressei no curso de Engenharia de Produção na Poli-USP, uma das minhas maiores conquistas acadêmicas até hoje. Para isso, precisei me mudar de Sorocaba para São Paulo. Embora a distância não fosse grande, a adaptação à vida na capital e à nova rotina foi um desafio. A USP e o Instituto ISMART me apoiaram financeiramente, o que possibilitou focar integralmente na minha formação acadêmica.

Desde o início da graduação, defini como um objetivo realizar um intercâmbio acadêmico, apesar de saber que o processo seria altamente competitivo. Além disso, o inglês era uma barreira significativa, o que me motivou a investir em cursos e a buscar ativamente melhorias no idioma, além de me envolver em atividades extracurriculares.

Uma das experiências mais marcantes foi minha atuação como monitor da disciplina PCC3100 - Representação Gráfica para Projetos, onde pude não apenas reforçar o conhecimento técnico, mas também contribuir no aprendizado de outros estudantes. Devido ao bom desempenho na monitoria, fui convidado pelo professor para participar de uma iniciação científica, com foco na reformulação do material didático da disciplina e gestão do futuros monitores.

No Clube de Consultoria da Poli (PoliCC), tive a oportunidade de trabalhar em projetos reais, desenvolvendo soluções práticas para desafios de estratégia e finanças. Participei de competições de grande relevância, como o Monitor Deloitte e o Desafio Bain, onde nossa equipe foi reconhecida pela qualidade das soluções apresentadas. Além disso, fui responsável pela organização e execução da Expo Consulting, a primeira feira de consultoria organizada na Poli-USP, um evento que conectou estudantes com empresas do setor.

A partir do 2º ano, comecei a investir parte da minha bolsa em cursos de inglês, com o objetivo de pleitear uma vaga de intercâmbio. Em 2024, tive a oportunidade de estagiar na Consultoria Visagio, onde desenvolvi habilidades em análise de dados, elaboração de dashboards e mapeamento de processos. A experiência foi essencial para a construção de uma visão mais aprofundada sobre o mercado e sobre a gestão de projetos de grande escala.

Graças a essas vivências acadêmicas e profissionais, tenho agora a oportunidade de realizar um intercâmbio acadêmico para Polytechnique Montréal (Canadá) e Instituto Superior Técnico (Portugal), concretizando um objetivo que, no início da graduação, parecia distante, mas que agora é uma realidade.

Aprovações nas universidades - 2020

objetivo.jpg

O ano de 2020 foi um dos mais desafiadores academicamente, pois além das dificuldades impostas pela pandemia, ele também marcou o meu último ano no ensino médio. O cenário da educação mudou radicalmente com o ensino remoto. Em meio à pandemia, o foco estava no vestibular e no TCC do ensino técnico. Para mim, essas duas questões estavam entre as mais importantes, pois definiriam a continuidade da minha trajetória acadêmica.

No início do ano, prestei a prova de bolsas para o curso pré-vestibular no Objetivo, visando um programa noturno que pudesse complementar meus estudos e preparação para os vestibulares. O desempenho nas provas me rendeu uma bolsa de 75%, que possibilitou a minha participação no curso e me deu a estrutura necessária para enfrentar o desafio de estudar para vestibulares enquanto ainda cursava o ensino técnico.

Com a mudança para o ensino remoto, minha rotina se tornou extremamente exigente. As aulas do ensino médio técnico começavam às 7h15 e iam até às 15h30. Após o intervalo para o almoço e um merecido descanso, o meu dia se estendia com aulas do curso pré-vestibular, das 18h00 às 23h30. Para manter o foco e não perder a produtividade, implementei uma organização rigorosa: comecei a usar ferramentas como Google Calendar, planilhas de organização e o Google Drive para compilar provas realizadas. Reservei os finais de semana para exercícios físicos, o que ajudava a aliviar a exaustão mental e manter o equilíbrio.

Apesar da carga intensa de estudos, os resultados foram extremamente positivos. Em 2021, fui aprovado em 4 universidades: USP, Unicamp, UFPR e Insper, com bolsa integral. A aprovação nessas universidades foi, sem dúvida, uma das maiores conquistas da minha vida. Tornei-me o primeiro universitário da minha família, marcando um passo importante na minha jornada acadêmica e pessoal. Esse resultado foi o reflexo do esforço, planejamento e dedicação que investi ao longo dos anos.

Aprovações.png
TCC.png

1º e 2º ano do Ensino médio - 2018 e 2019

Cuco.png
OBMEP.jpg
Dança masculina.jpg
Teatro.jpg
Gincana.jpg

Em 2018, iniciei o ensino médio técnico em Mecatrônica na ETEC Rubens de Faria, considerada na época a melhor escola pública de Sorocaba e a 7ª colocada no ranking vestibular da cidade (ENEM), atrás apenas de colégios particulares. Foi um período marcante no meu desenvolvimento acadêmico e pessoal.

Nesse mesmo ano, entrei para o Instituto ISMART em um projeto online voltado ao reforço em português e matemática, mentorias e eventos de networking. Esse contato com estudantes de origem semelhante à minha, hoje presentes nas melhores universidades do país, ampliou minha visão de futuro — até então limitada ao ensino técnico — e me motivou a buscar voos mais altos.

Na ETEC, recebi duas menções honrosas da OBMEP, o que me garantiu uma bolsa do CNPq para estudar matemática aos finais de semana com outros medalhistas. Também fui premiado na CUCO-USP, sendo a maior nota da escola em 2019.

Fora da sala de aula, mergulhei em diversas atividades extracurriculares. Fui líder de gincana, coordenando uma arrecadação que resultou na coleta de 14.000 litros de leite para doação. Atuei nos times esportivos de futsal, vôlei e basquete, e participei de apresentações artísticas, dança e musicais, experiências que fortaleceram minha comunicação, criatividade e trabalho em equipe.

Pelo ISMART, fui reconhecido por três anos consecutivos com o prêmio “Mestre dos Números”, concedido aos 5% com as melhores médias em matemática da rede. Ainda durante o ensino médio, desenvolvi com colegas um projeto socioambiental para filtragem de resíduos em bueiros, criando até mesmo um MVP no CAD, antes mesmo de estudar essa ferramenta formalmente.

Ismart.png
Rubens.png

Ingresso na Escola Técnica e Instituto ISMART - 2017

      O ano de 2017 representou um ponto crucial e transformador na minha vida. A situação financeira da minha família se agravou, e, como consequência, tivemos que nos mudar e morar com nossa tia. Essa mudança repentina acarretou uma série de desafios, o principal deles foi a distância de 10 km entre nossa nova casa e a Escola Guimar Camolesi, instituição pública de ensino que eu cursava o ensino médio. Embora a Guimar Camolesi não fosse uma escola de excelência, ela se destacava por oferecer um ensino de qualidade superior à média das escolas públicas, o que para mim representava uma grande oportunidade.

       Diante dessa nova realidade, tive que ponderar duas alternativas: mudar para uma escola pública mais periférica, que tinha um nível educacional inferior, ou continuar na Guimar Camolesi, enfrentando os desafios logísticos da distância. A decisão de mudar para uma escola com qualidade inferior não fazia sentido, pois estava em um ano estratégico, com o objetivo de ingressar na ETEC Rubens de Faria, no concorrido curso de Mecatrônica, e sabia que a continuidade na Guimar Camolesi era o mais indicado para alcançar esse objetivo.

Com o orçamento da família apertado e sem recursos para o passe escolar, optei pela segunda opção: ir a pé para a escola, tanto ida quanto volta. Isso representou um sacrifício diário, mas ao mesmo tempo um motor propulsor que me fez valorizar ainda mais o ensino que estava recebendo. Aproveitei essa rotina para criar um clube de estudos com amigos próximos que compartilhavam o mesmo objetivo: nos prepararmos juntos para o vestibulinho da ETEC.

         Em um dia comum, durante o percurso a pé pela cidade, um amigo me encontrou na rua, no meio de uma avenida, e, ao perceber que eu estava indo a pé, se ofereceu para me ajudar. Ele me sugeriu um passe escolar e até dinheiro, mas meu orgulho e vergonha na época falaram mais alto. No entanto, ele me ofereceu uma bicicleta, a qual aceitei sem hesitar, e foi com ela que finalizei o semestre, tornando o trajeto mais viável.

        Os resultados desse esforço foram muito recompensadores. No fim de 2017, fui aprovado em 5º lugar no curso de Mecatrônica da ETEC, com 43 pontos de 50 possíveis, o que me deu um grande senso de realização. Mais importante ainda, fui selecionado para o programa ISMART (Instituto Social para Motivar, Apoiar e Reconhecer Talentos), que até hoje me financia na universidade e se tornou uma das bases para o meu crescimento pessoal e profissional. Esse programa foi essencial para ampliar meus horizontes, fortalecer a confiança no meu potencial e me motivar a buscar grandes objetivos.

Infância - 2002 a 2016 

Corrida mãe.jpg
Irmãs.jpg
Passeata.jpg
Medalha futsal.jpg

Nasci na cidade de Sorocaba, onde passei minha infância e adolescência ao lado de minhas duas irmãs mais novas, Luiza e Laise. Juntos, vivemos uma infância saudável e enriquecedora, embora financeiramente desafiadora. A figura central de nossa criação foi, sem dúvida, minha mãe, que sempre nos incentivou a valorizar os estudos e a lutar por nossos sonhos, mesmo diante das adversidades.

Minha mãe, embora não tenha tido a oportunidade de cursar o ensino superior, sempre fez questão de compartilhar conosco o quanto a educação era fundamental. Ela se viu em um dilema quando foi aprovada para o curso de Pedagogia, mas, para cuidar de nós três, teve que abrir mão dessa possibilidade e assumir um emprego, sacrificando seu grande sonho. Mesmo com essa frustração, ela nunca deixou que isso nos desmotivasse e sempre nos incentivou a conquistar aquilo que ela não pôde.

Trabalhando como carteira na empresa Correios, o salário da minha mãe era suficiente para nossa sobrevivência, mas sempre foi um grande desafio garantir que tivéssemos as oportunidades que merecíamos. Para nos proporcionar uma infância digna, ela fazia de tudo: desde vender seu passe de transporte para garantir que pudéssemos ter lanches na escola, até cancelar a van escolar para economizar e, com isso, ela mesma percorria cerca de 4 km diários, sacrificando seu horário de almoço, para nos buscar. No total, ela caminhava cerca de 15 km por dia, somando o trajeto diário ao trabalho. Esse esforço não só demonstrava sua resiliência, mas também, indiretamente, serviu como treino para ela colecionar inúmeros troféus e medalhas como atleta de atletismo da Correios.

Com o tempo, ficou claro que essa situação se tornaria insustentável. Percebi a pressão sobre minha mãe e, aos 12 anos, tomei a decisão de sair da escola particular e ingressar na escola pública, permitindo que minhas irmãs continuassem na escola privada, o que aliviaria parte da carga financeira. Além disso, minha mãe conseguiu nos inscrever no programa LBV (Legião da Boa Vontade), que proporcionava alimentação e atividades recreativas para crianças em situação de vulnerabilidade. Nesse período, tive a oportunidade de me desenvolver tanto no aspecto esportivo quanto artístico, além de assumir responsabilidades em casa, como buscar minhas irmãs na escola e preparar as refeições. Essas tarefas, longe de me sobrecarregar, foram para mim um motivo de orgulho, pois sabia que estava ajudando a aliviar o peso de minha mãe.

Na escola, no 8º ano, participei da eleição para o grêmio escolar, onde disputamos com uma turma do 3º ano, um feito que, mesmo sem vitória, ficou marcado pela diferença de maturidade e responsabilidade que conseguimos demonstrar, convencendo a escola de que éramos capazes de gerir a instituição, apesar da nossa pouca idade. Além disso, ainda no fundamental, fui campeão de Xadrez e Futsal.

"Sonhar grande e Sonhar pequeno dão o mesmo trabalho"

Projeto Remover fundo.png
bottom of page